Sábado, 12 de Janeiro de 2008

A vitimização



Algo que sempre me impressionou nesta sociedade é a tendência para a vitimização. Ou seja, a necessidade que muitas pessoas têm em se fazer de vítimas, por tudo e por nada. Por vezes, escuto conversas por aí em que indivíduos "competem", em que um insiste ter mais problemas de saúde, amorosos ou profissionais do que o outro. Mas porquê tanto negativismo?


Porque perdemos o nosso tempo a contar pormenorizadamente quais as nossas doenças, os nossos problemas, perante os problemas dos outros? Isso em vez de falarmos do que nos corre bem. Porque quando alguém, por vezes sinceramente, decide desabafar a outra pessoa insiste em dizer que os problemas de quem desabafa não são nada perante os seus? Porque é que por vezes inventamos problemas só para chamar a atenção? Porque é que tendemos a culpar os outros por tudo o que nos acontece de mal?

Desta forma, só estamos a exarcebar o negativismo, a ampliar os problemas, a perder tempo com coisas que não deviam ser ampliadas mas sim minimizadas. O curioso é que, muitas vezes, quem está verdadeiramente doente, não se faz de vítima. Quem tem a vida em risco, muitas vezes não se auto-vitima... E quando o faz, normalmente não resiste, não encontra a paz necessária para enfrentar a doença, a pobreza, a fome e, até, a morte.

Perante tanta coisa que vejo à minha volta, os meus problemas são insignificantes e não me atrevo sequer a exarcebá-los só para sobressair de alguma forma. Não me atrevo a fazer generalizações sobre alguns problemas dos outros porque, alguns deles, eu sei que são difíceis de controlar e não dependem da simples "vontade e disciplina". Não me atrevo a seguir estereotipos e apontar o dedo a quem foge da "normalidade". Não quero, porque sei que a vida é muito mais importante do que isso, porque sei que tudo o que disser, tudo o que fizer, terá repercussões futuras na minha vida.

Porque cada caso é um caso, porque quem é diabético não o é por comer "açúcar a mais". Porque quem é gordo, nem sempre o é por comer muito. Porque quem é doente, não o é por ser "reles". Porque quem está desempregado não o está por ser "vadio" ou por não ser competente (e vice-versa). Porque nem sempre quem tem cancro foi por causa "dum estilo de vida pouco saudável". Porque quem não tem companheiro(a), não é por ser "homossexual" ou "má companhia". Porque quem não segue o rebanho, não é "ovelha negra". Porque é muito fácil julgar-se o que não se conhece. Porque é muito fácil ficar por cima.

Porque a vida é muito mais complexa  e interessante do que isto. É muito mais do que estereotipos, julgamentos, vitimizações, problemas. Porque eu, tal como todos vós, já cometi muitos dos erros aqui descritos, e às vezes ainda cometo. Mas o tempo ensinou-me, e ainda ensina-me tantas coisas. A vida mudou-me, felizmente. Porque se não tivesse mudado... é porque teria estagnado na minha evolução pessoal. A vida não teria me ensinado nada. E não fiquei por aqui, ainda há muito para vir.

Por isso, cuidado com alguns comportamentos. Com julgamentos precipitados. Com definições. Com categorizações. Com auto-vitimizações. Porque, experiência própria, só traz sofrimento, mal-entendidos e problemas. E não leva a lado nenhum. Não é para isso que cá estamos.
publicado por LadyArwen às 10:28

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2 comentários:
De Patusca a 23 de Janeiro de 2008 às 14:04
Parabéns por ontem!!! Quis vir cá no próprio dia mas depois passou-me! Um beijo,
Patusca
De Viktor a 28 de Maio de 2008 às 18:16
Pois é cara miga,
As pessoas têm um pouco a mania de se vitimizarem nos dias que correm.
Hoje em dia nada é fácil e todos nós temos de nos revestir de energia positiva, erguer a cabeça e seguir em frente, sempre lutando, muitas vezes contra ventos e marés, para conseguir-mos levar o nosso barco a bom porto.
Tenho feito isso, ao nível do Reiki, e tenho constactado que vão começando a surgir os frutos, do que semeei, ao longo do ano passado.
Desejo-te um bom dia.
Saudações Reikianas.
NAMASTÉ.

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