Quinta-feira, 5 de Julho de 2007

Contemplando o conceito de Deus



Embora possam me ajudar, não me contento exclusivamente com a razão, o existencialismo e o materialismo. Não, porque não consigo explicar tudo o que se passa na minha vida e à minha volta. Não, porque a Ciência por si só não responde nem nunca vai responder a tudo (muitas vezes levanta ainda mais questões). Não, porque sinto que há algo mais do que carne e osso, do que matéria, embora, no entanto, não saiba explicar o quê. Logo, acredito em “algo” mais, “algo” maior do que eu, do que nós, do que o visível e palpável. Esse “algo”, podendo ser ou não explicado como energia cósmica, influencia a minha vida de alguma maneira. Não acredito, porém, em qualquer religião que me imponha doutrinas ou num Deus com determinadas características humanizadas. Não é aí que encontrarei as minhas respostas.

 

Como surgiu o Universo? Como surgiram os astros? Alguém sabe explicar tudo apenas com uma teoria simplista como a do “Big Bang”? E o que existe para lá do Universo? O Universo é finito ou infinito? Quantas dimensões existem, se cada dia que passa os cientistas descobrem mais uma? Podemos manipular o espaço e o tempo, se está provado que não são constantes arbitrárias? Enquanto não houver resposta para isto, não poderei ser materialista. Nunca. Porque existe uma força que nos une, uma força que esteve na base da origem de tudo. Uma força desconhecida.

 

Passando a coisas mais terrenas, sinto e passo por coisas que indicam que há "algo" mais:

- Intuições, uma voz interior que me avisa, que pressente, que me aconselha.

- Sonhos premonitórios, daqueles onde vejo clarinho o que vai acontecer dias ou meses depois.

- Ter a sensação de reconhecer uma pessoa que vejo pela primeira vez e falar com ela como se já a conhecesse bem.

- Gostar ou não gostar de alguém, mesmo que tenha ou não tido problemas com essa pessoa.

- Luzes que piscam ou apagam, interferências electrónicas quando me aproximo.

- O porquê de gostar tanto dum lugar onde nunca estive e sentir saudades de lá ir.

- O porquê de me identificar com ou detestar civilizações do passado, como se tivesse vivido na sua época.

- Os mistérios da evolução da vida na Terra, as extinções em massa, as mutações.

- Os mistérios da História, os grandes monumentos, desaparecimentos e artefactos curiosos.

- Observar alguém sobreviver a uma doença graças ao “espírito” e poder da mente sobre o corpo.

- Saber que há zonas do meu cérebro que não sei bem para que servem.

- Observar coisas pelo canto do olho que tento explicar como sendo imaginação, mas que voltam a aparecer.

- Sentir aqueles arrepios na espinha sem explicação.

- Instintivamente, criar, "ter jeito", saber fazer coisas que nunca me ensinaram.

- Saber que quando estou calma e optimista, as coisas correm bem.

- Saber que quando estou com raiva e pessimista, as coisas correm mal.

- Sentir que nada acontece por acaso e deixar de acreditar em coincidências.

 

Consigo definir esse “algo” como Deus? Não sei. Porque o nome "Deus" normalmente está associado a uma religião, e esse não corresponde ao que sinto. Mas se Deus engloba a energia que nos envolve e que nos ultrapassa, a energia com a qual ainda não conseguimos nos sintonizar, sim. Defino o “algo” como Deus, ou como a Natureza, ou como Energia apenas.

 

Só sei que sei que nada sei... E as respostas só irão surgir quando eu menos as procurar, fora de quaisquer amarras criadas pela sociedade, por doutrinas, por ideais, por qualquer religião ou crença. A Ciência ajuda a compreendê-las. As respostas estão dentro de mim e vão emergir quando estiver em paz, serena e com a mente livre, nas simples coisas da vida.

publicado por LadyArwen às 21:58

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3 comentários:
De Cosmictarot a 6 de Julho de 2007 às 18:42
Olá!!

Em primeiro quero agradecer a visita ao meu Cosmos. Entetanto já adicionei o teu blog no Cosmictarot.

Quanto às coisas que aqui falas... sim... tem muitas delas com as quais me ideitifico, principalmente a "não pertença" aos (pre)conceitos de religiões, dos deuses criados e idolatrados, escritos com d ou D, não interessa.

Dentro do tema a frase com que mais me identifico é que Deus somos cada um de nós, e cada um tem Deus dentro de si. Não da forma como a igreja o descreve, mas à minha única e exclusiva maneira.

Gostei do tema.

Beijos Cósmicos
De Sancho Gomes a 10 de Julho de 2007 às 23:18
Oi Joana,

como já deves ter reparado, tenho uma certa tendência para ser paternalista. Se tal acontecer, passa à frente e não ligues, porque este é um defeito de professor.

Logo de início afirmas que as respostas que procuras não as encontrarás no existencialismo. Com certeza que não, porque o existencialismo é uma atitude filosófica de questionamento. Portanto, poderá ajudar a colocar as questões "certas" mas não nos dará as respostas.
Por outro lado, parece-me que a tua concepção de existencialismo é um pouco superficial.
Repara que o que os existencialistas defendem é que toda a realidade se manifesta no plano da existência (em contraposição com a tradição, que oponha a existência à essência, diminuindo a primeira em relação à segunda). Todavia, o neant existencialista, não é apenas o nada. Sendo o "não ser", é possibilidade de ser (potência). Pode, inclusivé ser outra dimensão, outras existências. Deixa tudo em aberto. A atitude sugere apenas que não existe diferença entre aquilo que é e aquilo que se mostra. O que se mostra já é, podendo, contudo, haver outras (uma infinidade) formas de ser.
Quanto à questão de Deus, o existencialismo nega-o. Sartre fecha a porta ao transcendente. Mas apenas se olharmos para o existencialismo sistemático de Sartre. Existem, contudo, outras atitudes existencialistas, como a de Camus , que não "mata" deus.
Mas parece-me que, efectivamente, gostas muito do esoterismo (conheço a diferença) . Mas saúdo a tua religiosidade. Confirma o que sempre disse: o ser humano é 95% religioso. E curiosamente, vives a tua espiritualidade com maior fervor do que eu, que creio nUm Transcendente Inteligente e Ético.

Cumprimentos,

Sancho Gomes
De LadyArwen a 11 de Julho de 2007 às 14:48
Olá Sancho!

Mais uma vez, obrigado por comentares no meu blog :).

Sim, não conheço o existencialismo a fundo para poder negá-lo, daí ter alterado a primeira frase do meu post puco depois de já o ter publicado, porque estava a ser dogmática, mesmo que inconscientemente.

"A atitude sugere apenas que não existe diferença entre aquilo que é e aquilo que se mostra. O que se mostra já é, podendo, contudo, haver outras (uma infinidade) formas de ser. " Eis a minha dúvida. Será que não existe mesmo diferença? Como delinear o limite entre o que se mostra e é e as outras formas de ser?

Quanto à religiosidade e existência ou não de Deus, disseste uma palavra que diz tudo e que não me ocorreu quando escrevi este post: transcendente. Acredito em algo transcendente. Se é Deus ou não, não sei e penso que nunca vou saber. Mas não consigo me contentar com a existência, com a "realidade", pois há sempre algo que me ultrapassa. Mas continuo a não querer me vincular a religiões (ou cultos ou seitas) ;).

E também não sei se me vou ficar pelo esoterismo. Por enquanto, estou a explorá-lo, estou a querer conhecê-lo melhor. Mas não significa que esteja "presa" a ele. Talvez proque no momento esteja a me dar mais respostas, mas esta constante poderá ser alterada ao longo da vida.

Só sei que sei que nada sei... :)

Cumprimentos,

Joana

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